É um dilema com que grande parte de nós acadêmicos de Direito, em especial aqueles que estão a dar início às atividades no mundo jurídico, por vezes nos deparamos.
Muitos são os que escolheram para sí como meio de futura subsistência e satisfação pessoal o curso de Direito, mas infelizmente, nessa vertente das ciências humanas, mesmo que grande parte a tenha escolhido como a que melhor lhes apetece, ou se mostra mais compatível às suas mais íntimas convicções, sejam elas morais, políticas, financeiras, egocêntricas, culturais, intelectivas, a grande dúvida com relação ao que farão após o curso é a que paira.
Cito também as convicções de cunho egoístico, porque seria hipocrisia de minha parte afirmar que não há pessoas que optam por determinado curso ou profissão pensando somente em si mesmas, em benefício único e exclusivo da satisfação de suas paixões, que por vezes são os mais detestáveis possíveis do ponto de vista daqueles que prezam pela moralidade.
A bem da verdade, no mundo ainda atrasado onde nos encontramos, o egoísmo reina e fazem ainda minoria os que pensam na coletividade, tendo ciência do micro que são e do dever para com a evolução do Macro onde se encontram.
Pensar no coletivo não é virtude, mas obrigação de todos nós enquanto seres humanos que deveríamos ser, que devido à inversão de valores na qual encontramo-nos inseridos, tomamos por “virtude” o que deveria ser tomado por normalidade. Se formos todos egoístas a humanidade desaparece do orbe, a padecer talvez das mais abomináveis mazelas que se pode pensar.
Lembro-me agora do péssimo hábito que têm alguns de apropriar-se do que não lhes pertence, ou ainda o de obter vantagens que não lhes caberia obter quando se está em situação privilegiada, tal qual a dos membros dos três poderes constituídos à concepção de Montesquieau: Legislativo, Executivo e Judiciário. Não é preciso nominá-los, haja vista os inúmeros casos que eclodiram e estão ainda a eclodir nos meios de comunicações que nos estão ao alcance.
Há quem diga que não há problema algum em se dar a tais práticas, abomináveis a meu ver, pois pensam que todos fariam o mesmo se estivessem em equiparada posição, ou que não há mal em ser corrupto desde que se faça alguma coisa...Fulano rouba mas faz! Mas será mesmo? Será que não existem pessoas que se valem de princípios éticos, que vêem na oportunidade que lhes é delegada a chance de obter algum proveito em prol de seus semelhantes? Me arrisco sem titubear a dizer que sim, existem tais pessoas!
Umas comprometidas com a verdade e as conseqüências de seus atos, outras nem tanto, mas em curso, na busca da verdade que as tornará alguém melhor, digno de ser no mínimo respeitado pelo que fez ou faz.
Digo também que esta verdade pode ser encontrada no Direito, e que basta que cada um a procure para que a encontre, desde que haja boa vontade e deleite em satisfazer aos outros, prazer em servir.
As ciências jurídicas, dotadas de extrema amplidão, de diversificadas opções aos que por ela optaram, compõem um vasto universo de conhecimentos. Como algumas das inúmeras opções temos: advocacia, magistratura, magistério, promotoria, procuradoria, dentre muitas outras. O complicado para muitos é saber onde melhor se situará! Eu, particularmente optei pela advocacia desde o início, e agora no sétimo período, já inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, tenho ainda mais certeza do que quero para minha vida.
Comecei no estágio voluntário ainda cedo, numa das Varas Cíveis que compõem o Fórum, para ter certeza de que não era a magistratura nem nenhuma outra profissão, a que eu tinha melhor aptidão para exercer, senão a advocacia, e ainda um outro sonho, o magistério. Hoje faço estágio remunerado, e estou muito feliz em meu local de trabalho, num escritório de advocacia.
Com a pouca experiência que tenho, não posso indicar nada melhor para o acadêmico de Direito que ainda faz parte do grupo dos indecisos com relação à profissão que melhor lhe fará o perfil dentro dessa infinidade de opções, senão fazer um ou vários testes num desses estágios que nos estão disponíveis.
O estágio serve como fonte de amadurecimento ao estudante, para que entenda as peculiaridades de cada profissão. Mas é sempre bom que se pense no que poderá fazer contribuindo para que tenhamos dias melhores, sem corrupção, sem maldade, sem miséria, sem ignorância, ainda que tratados como idealistas.
Já dizia Shakespeare: “Sabemos o que somos, mas ignoramos o que podemos nos tornar”.
Por isso afirmo convicto que se alguém faz Direito, mas ainda não é certo do que fazer, paute-se sempre nos valores éticos e se dê a chance de descobrir o que quer para si experimentando o labor dos estágios que lhe são oferecidos, jamais se olvidando da grande contribuição que poderá deixar.
Os meus mais sinceros votos de sucesso e felicidade, a calouros e veteranos, com a lembrança de que os bons fazem a diferença.
Portanto, esteja entre os bons e faça a diferença!
Guilherme Martins de Araújo – Acadêmico de Direito e membro da Subcomissão dos Estudantes de Direito e Estagiários da CAJ-OAB/GO.
Fiz questão de colocar esse artigo do nobre colega, por acompanhar o mesmo pensamento dele. Excelente artigo, parabéns Guilherme Martins.
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